Sono, bebês e mamães

Quando eu tive o meu primeiro filho, não dormi nem uma noite no primeiro mês. Nem umazinha só. No hospital, ele chorou de fome porque eu ainda não tinha leite e o "amável" pediatra de plantão se recusou a receitar o complemento. Pra ele, eu estava de frescura e não queria amamentar meu filho. Vítor chorou a noite inteirinha, revezando entre o colo da minha mãe e o meu peito. As outras noites eu passei com ele em cima de mim. O menino morria de cólicas, que só aliviavam nesta posição.

Enfim, tive outras noites mal dormidas com ele, mas qdo ele fez 2 anos eu resolvi que já estava na hora de dar um basta naquilo. Minha vida já tinha voltado ao ritmo normal, emprego e etc, mas meu sono não e isso estava acabando comigo. Comprei o livro Nana Nenê mas não gostei muito. Então me indicaram o Soluções para Noites sem Choro, que me ajudou MUITO.

Eu já nem pensava mais nesse livro, até que a Alice nasceu. Mas mesmo antes de pensar no livro, tudo foi muito mais tranquilo dessa vez. Ela não tem tanta cólica quanto o Vítor, então facilitou bastante.

Mas acho que tem uma postura minha que é fundamental nesta fase da vida. Eu também tive essa postura com o Vítor e vejo que a mãe que não pensa assim, sofre muito mais. Já conversei sobre isso com várias amigas, grávidas e mães de recém nascidos, também pelo twitter e orkut. E gostaria muito que as mulheres sempre pensassem deste jeito, tornaria a maternidade muito mais leve.

Não adianta querer que o bebê durma a noite inteira. Você pode querer, mas ele não vai corresponder às suas expectativas, o que vai trazer muito desgosto e cansaço. Como diria nossos avós, não adianta dar murro em ponta de faca. O bebê recém nascido é exigente, o centro do universo e quer tudo para aquele minuto.

Além disso, imagine se tudo o que você pudesse comer fossem líquidos. De quanto em quanto tempo sentiria fome? Pois é, ele só toma leite. O leite materno é digerido rapidamente e os bebês precisam se alimentar periodicamete duranteo dia e a noite, por pelo menos alguns meses. O estômago deles é muito pequeno para segurar um suprimento que dure a noite toda.

Já os bebês alimentados com as fórmulas artificiais podem aguentar até 4 horas entre mamadas, porque demora mais para ser digerida que o leite materno. Ainda assim esses bebês precisam ser alimentados durante a noite quando acordam.

Sabendo disso, como querer que eles durmam como os adultos dormem? Olha só o que a autora Janet Balaskas diz sobre isso:

"Alguns pais têm expectativas não realistas sobre seu bebê e podem lutar por meses, tentando fazer com que seu filho tenha um padrão de sono que não se adequa à sua fisiologia. (...) Nos dias atuais, muitas pessoas têm um estilo de vida pressionado pelo tempo, de movimento rápido e orientado pela carreira, que requer sono ininterrupto à noite. Essas pessoas podem, portanto, ser atraídas por um método de “treinamento de sono” que prometa que seu filho pode ser ensinado a dormir sozinho desde cedo. Pode ser dito que nossa sociedade é obcecada com fazer os bebês “dormirem a noite toda” o mais cedo possível."

Também posso completar com um trechinho do livro que citei lá em cima:

"Recém-nascidos não têm problemas para dormir, mas os pais, sim. Bebês dormem quando estão cansados e acordam quando estão prontos. Se o horário deles gera conflito com o seu, o problema não é dos pequeninos, que nem mesmo sabem o que está acontecendo."

Enfim, o ponto onde quero chegar é:

1 - Tenha bem claro em sua mente que a prioridade é o seu bebê. Sua casa não é prioridade, nem você, nem seu marido. Quanto mais expectativas você criar sobre fazer coisas não ligadas ao bebê, mais você vai sofrer para passar por esta fase;

2 - Se você, como eu, tem outro filho, consiga alguém para dar atenção pra ele enquanto você se dedica ao novo bebê. Sempre que você puder, fique com o mais velho com e sem a presença do bebê, para que ele veja que não foi esquecido com a chegada do caçula e acostume-se com a presença dele. Mas uma pessoa para se dedicar a ele é importante neste começo para que você possa entrar no ritmo do bebê sem se sentir culpada por "abandonar" o mais velho.

3 - Aprenda a se "desligar" da pequena bagunça doméstica. A "neura da limpeza" definitivamente não vai ajudar nessa fase. Você terá muito tempo depois para organizar tudo do jeitinho que você quer e gosta. Um pouco de desorganização agora não vai matar ninguém e faz parte do processo. (se o marido reclamar, mande-o ir limpar)

4 - Nessas primeiras semanas, deixe o bebê dormir no seu quarto. Eu coloco a Alice ao lado da minha cama, no carrinho dela. Isso evita aquele vai e volta do seu quarto pro dele a noite inteira. Você já vai ter pouco tempo pra dormir, imagina se ainda tem que se deslocar! Detalhe: isso não significa colocar o bebê pra dormir na cama com você!!!

Abre parenteses E aqui vai a minha opinião, extremamente pessoal. Pra mim, cada macaco no seu galho. Dormir com um bebê na cama pode ser perigoso e, além disso, interfere no seu relacionamento com o seu marido, que já deve estar suficientemente extremecido pela gravidez, né? Tá bom que nos primeiros 40 dias nada demais vai acontecer mesmo, mas pra quê se privar do carinho? Fecha parenteses

5 - Quanto mais você entrar no ritmo do bebê, menos cansada você vai se sentir. Não se acanhe de dormir até meio dia ou mais. Se você parar para contar, mesmo dormindo até esse horário, provavelmente não terá dormido nem 6 horas. Sim, seu horário de almoço e demais refeições vai ficar diferente dos demais mortais. Mas quem disse que você é um mortal comum, né? Só tome cuidado para não descuidar da alimentação, pois o bebê precisa de um certo aporte de calorias que será provido por você - se você amamenta, claro. Eu me consulto com uma nutricionista, que me orienta direitinho sobre o que eu devo fazer.

Dicas para saber mais:

Soluções para Noites sem Choro - Elizabeth Pantley - Ed. M. Books

10 comentários:

Margaret disse...

Perfeito Tati. O mundo seria melhor se todas as maes agissem como voce. E com certeza todas as crianças teriam um inicio de vida com mais qualidade.
Tambem vi o post anterior e ja encaminhei pra minha neta (via mae).
beijocas e bom domingo

Marília, mãe do Miguel disse...

Tati, vc é um exemplo pra mim!Quero ser que nem vc quando crescer..rs..e ah, vou comprar esse livro, já tinha ouvido falar!

Beijos

Quel disse...

Tati, AMEI!!! Imbatível!! teria sido ótimo se eu tivesse lido antes do Bruno nascer.....as duras penas entendi isso.

liasergia disse...

Excelente texto!!! Parabéns!

Quando engravidei pela primeira vez, afortunadamente recebi estas orientações de uma amiga que, além de médica, tem 2 filhos pequenos. Mas acabei me surpreendendo foi com a situação inversa!!

Luisa acordava, quase sempre sem choro pq eu notava logo, umas 6h após dormir. Ela mamava, dormia ainda mamando e quando largava o peito ia pro berço de novo. Daí só acordava mais 6h depois, de manhã. Parecia um relógio!! Isto me espantava porque eu tinha me preparado p/ ñ dormir noites inteiras!! hehehe

Agora, grávida do segundo, não nutro qualquer expectativa de que ele seja como a irmã, porque cada pessoa é diferente, mesmo quando ainda bebês, né?

But, seja como for, já estou (mais uma vez), preparada psicologicamente pra aceitar o que vier e boa! O importante é ter muito amor e paciência pra lidar com todas as situações que aparecerem. O resto a gente dá jeito! hehehehe

Maria Betânia Fuller, mamãe de Lana Fuller, disse...

Olá Thaty,
Muito legal este post, certamente deparão com situações em comum entre várias mamães, como você e eu! Adorei os trechos deste livro (que ainda não tinha ouvido falar, valeu a indicação, espero encontrar aqui) e seus pontos de vistas, por si própria descobri alguns pontos, o de quando ela resmungar querendo mamar antes mesmo de abrir os olhos ou chorar pegá-la e amamentá-la, sem luzes fortes ou conversas, pois em seguida a coloco no berço de volta, que está ao lado da minha cama, sem muita perda de tempo,e outros pontos que fui esclarecida melhor depois de ler este post, o do caso de que "A neura da limpeza definitivamente não vai ajudar nessa fase" pois tento fazer tudo ao mesmo tempo, cuidar da casa e das refeições e dela (ainda sendo com muita atenção e qualidade como ela merece), e isto realmente resulta em muito cansaço e aconteceu da minha pequena ter de chorar no berço me deixando com muita dó, peso de consciência, depois deste post este episódio não correrá risco de se repetir.
Obridaga!
Beijos meus e agradecimentos da Lana...hehehe

Lu disse...

Oi Thaty
Parabéns pelo excelente texto. Eu tive exatamente o mesmo tipo de neura quando meu primeiro filho nasceu e percebia o quanto exigia que ele dormisse a noite toda como se fosse um padrão para os bebes "bonzinhos". Espero que agora com a Mariana eu tenha mais maturidade para encarar as noites com sono interrompido exatamente da forma que vc disse, como sinal de que o bebe precisa se alimentar e é o centro da atenção nesse momento.
Muito obrigada por ter dado essas dicas e tocado nesse assunto que faz a gente pensar um pouco.
Ah... não comentei no post do Vitor formando, mas vai aí: tem que ser uma mãe coruja mesmo. É tão bom quando os nossos filhos nos dão orgulho e nesse caso vc tem é mais que sentir orgulho desse pequeno grande homem.
Bjs e tudo de bom...
Luciana

Layana disse...

Oi Tatyyy
Ótimo post, adorei as observações. Só tenho algo e acrescentar: As vezes, os bebes "viciam" - sem querer, claro - no colo e ficam acordando não pra mamar, mas pra serem acalentados de novo. Quando o livro destaca "dormem quando estão cansados e acordam quando estão prontos." a gente vê que não é fome quando eles não acordam prontos (não falo de o a 1 mês), acordam resmungando, sem querer comer e só param no colo.
É este tipo de coisa que quero evitar. No meu primeiro eu tb não dormia nada, mas porque a qualquer coisas ele estava no colo e, claro, ele só queria estar nos braços de alguém e não num cafofinho dele.
Estou aguçando minha sensibilidade e calma pra poder separar bem estes dois momentos. Mas realemnete uma coisa é universal: mãe de bebezinho não dorme a noite toda, acho que 0,1% conseguem isso.

Alethéa disse...

Adorei as dicas, obrigada! Abraços.

Pri Tescaro disse...

Menina, cheguei ao seu blog por indicação da Lu Brasil e adorei esse post sobre as noites e as expectativas das mães. Eu fazia exatamente ao contrário do que você escreveu e isso estava me matando. Queria muito que o Pietro dormisse a noite toda, com apenas dois meses de vida. E foi nesses dias que caiu minha ficha e me dei conta que meu filho não completou nem três meses e precisa acordar a hora que ele sente fome. Por isso, eu tenho que estar à disposição. E sabe que minha vida de mãe de primeira viagem ficou bem mais leve e fácil.
Você está corretíssima em todas suas colocações. Enquanto a gente não aceitar que os bebês não dormem a noite toda só porque a gente quer, tudo fica mais complicado.
Beijo

Ligiane disse...

Tati, vim ler seu post mais atual e me depare com este, que, tenho certeza, vai ser muito útil!!!
Como é bom quando a gente recebe dicas que tem a ver com nosso estilo, quando a gente vê que faz parte da nossa maneira de pensar! Acho que é um segredo também. Temos que acreditar no que estamos fazendo. A coerência começa desde cedo!
Um beijão!

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