Absurdo em Fernando de Noronha


Esta semana fui surpreendida por uma notícia completamente absurda: que as trabalhadoras grávidas de Fernando de Noronha estão sendo retiradas da ilha ao completarem 7 meses de gestação e enviadas para Recife.

As justificativas são muitas - e muito furadas, no meu ponto de vista. De acordo com o poder público, como tudo em Fernando de Notonha é difícil, há o interesse de evitar a explosão populacional, para preservar o meio ambiente , já que 70% do seu território compõem o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. E como quem nasce na ilha, mesmo sendo filho de não nativos, tem direito vitalício de permanência em Noronha, eles resolveram ter a "brilhante" idéia de não deixar que ninguém mais nascesse lá.

Acontece que a coisa não é tão simples assim. Muitas vezes elas não têm ninguém em Recife para ajudá-las, justamente na fase crucial de suas gestações. E o mais absurdo: são obrigadas a entrar em suas licenças maternidade, sobrando então pouco tempo para ficar com o bebê depois que ele nasce. Ou seja: essas mães são praticamente arrancadas de suas casas e ainda são privadas de ter o contato - garantido por lei - com seus filhos. Getúlio Vargas deve estar rodopiando no túmulo com isso.

Veja esta parte da reportagem publicada pelo jornal Diário de São Paulo:

"Já outras grávidas batem o pé e não saem do arquipélago, como Marinalva Fonseca da Silva, de 33 anos, que quando estava com sete meses de gravidez foi enviada para Recife, com passagem e despesas hospitalares pagas pelo poder público. Mas decidiu voltar à ilha, comprou uma cinta com dinheiro emprestado, apertou a barriga e voltou. Tentaram embarcá-la de volta, mas resistiu e teve o filho no arquipélago, com uma equipe médica improvisada. Sua filha foi a única registrada este ano em Noronha. Marinalva continua como moradora temporária, mas Vitória, por ter nascido na ilha, ganha status de permanente. Graças à sua luta, ela poderá morar na ilha com o bebê."

Fala sério. Não é possível que não existam métodos menos traumáticos e radicais de controlar a natalidade na ilha, não é? Voltamos à época da ditadura? Tá na hora de botar a boca no trombone. Pra sentir a indignação é fácil: basta imaginar se fosse com você!

Vamos lá, divulguem este post, retuitem no Twitter, postem em outros blogs, em comunidades do orkut!

Para ler as matérias publicadas esta semana sobre o assunto basta clicar:

O Globo - Moradoras de Fernando de Noronha são obrigadas a ter bebês fora da ilha


Diário de São Paulo - Batalha pelo direito de nascer


6 comentários:

Margaret disse...

um verdadeiro absurdo isso.
Cade as leis desse pais? Só servem quando é de interesse proprio? to chocada.

Kelly Resende disse...

Oi Tathy, pelo q sei não é bem assim que acontece. As grávidas realmente são enviadas para ter os bebês em Recife, mas é mais por falta de estrutura na ilha do que por essa historia de nascer lá. Caso tenha alguma complicação no parto não tem como a pessoa ter assitencia na ilha. Não sei dizer se elas são obrigadas a sair com 7 meses. Tenho uma amiga que mora lá e teve um filho há pouco mais de 1 ano, em Recife, mas o filho dela tem o direito de permanecer na ilha sim, pq o pai é ilhéu. Qq coisa posso entrar em contato com ela e perguntar mais detalhadamente como isso funciona.
Abraços

Andréa Peixoto disse...

Realmente se isso for verdade é um extremo absurdo. Se a questão é falta de atendimento básico, por que a população não reevindica hospital??? Será que a vida do ser humano é menos importante do que a de tartaruga? Fala Sério!

Thaty disse...

Se o pai é ilhéu a coisa é diferente. O problema está sendo com as pessoas que vão trabalhar na ilha e não são originárias de lá. Tem outras histórias na reportagem que eu não citei no post. Dêem uma lida lá, vale a pena!

Inclusive teve uma mãe que disse que tinha condições de levar a equipe médica pra lá e não foi permitido.

Flavia Bernardo disse...

Nossa, Tati! To CHOCADA!!!
Como pode isso ainda acontecer nos dias de hoje? Desumano.
Vou fazer uma postagem no meu blog a respeito.

bjks
Flavia
@flaviapbernardo

fred lasmar disse...

Caros leitores,

Na semana passada Fernando de Noronha viveu um momento histórico: foi apresentado o relatório com os desafios, ações, propostas, responsáveis, metas, indicadores e prazos para o Plano Noronha +20. Após três anos de estudos sobre a capacidade de carga do Arquipélago, envolvendo, entre outros, o ICMbio, a Administração do Arquipélago de Fernando de Noronha, Ministério Público Estadual, SPU, CPRH, IPHAN, Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente, Ministério das Cidades, SECTMA, Sociedade Civil, que deu origem a esse relatório propondo o que queremos de Noronha nos próximos 20 anos. Esse estudo estabelece um ideal de gestão para alcançarmos a sustentabilidade em Fernando de Noronha. Ele indica, por exemplo, que a ilha está em seu limite populacional, e que a meta é manter esse nível ou restringir se não criarmos um modelo sustentável de vida nos próximos anos. No raciocínio lógico este seria a premissa maior para nossa orientação: reduzir. A maternidade e o centro cirúrgico foram desativados em 2003 pela Secretaria Estadual de Saúde. Entendemos a importância e a necessidade de reativar a estrutura da sala de parto e do centro cirúrgico. Estamos discutindo com a Secretaria Estadual de Saúde a reforma física do espaço para que possamos cumprir a meta do Plano de Saúde. Nascer em Fernando de Noronha significa também uma equipe médica permanente no arquipélago, um banco de sangue, equipamentos específicos e outras demandas (que significa aumento de carga para a Ilha). Tendo em vista as dificuldades inerentes e ao local remoto e de difícil acesso, enquanto não tivermos a certeza de oferecer parto de qualidade e com segurança, as gestantes farão o pré-natal até o 7º mês na ilha e serão encaminhados para conclusão do pré-natal e parto em unidades de referência no continente, sempre com o acompanhamento de nossa equipe. Quero salientar que nascer ou não em Fernando de Noronha é na realidade uma premissa menor, a questão fundamental identificado nesse estudo é aumentar ou reduzir a carga que Fernando de Noronha suporta, e é isso que vai pautar nossas decisões como gestores da coisa pública a partir desse momento histórico para nosso Arquipélago. Estou à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

Atenciosamente



Frederico de Alencar Lasmar
Gestor do Sistema de Comunicação do Arquipélago de Fernando de Noronha

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