Ainda sobre Noronha

Hoje, ao abrir meu e-mail, me deparei com o comentário do senhor Frederico de Alencar Lasmar, gestor do Sistema de Comunicação do Arquipélago de Fernando de Noronha. Fiquei feliz em receber sua resposta, o que significa que o apelo feito no blog não foi em vão, que não estou "pregando pro vazio", não é? :)

(Só para constar: eu liguei para o arquipélago, confirmei que ele existe e que foi ele quem me mandou a resposta, tá?)

Bem, vou colocar lá no final a resposta dele na íntegra, mas vou também dar um resuminho do que ele falou. Valendo lembrar que esse é a versão do poder público, tá? Se agora fosse setembro - quando eu estarei lá - conversaria também com alguma moradora da ilha, para pegar também a versão deles sobre o assunto.

De acordo com o senhor Lasmar, na semana passada foi apresentado um relatório com os desafios, ações, propostas, responsáveis, metas, indicadores e prazos para o Plano Noronha +20. Esse projeto define o que se é desejado para o arquipélago de Noronha nos próximos 20 anos e estabelece um ideal de gestão para que seja alcançada a sustentabilidadeno local.

O gestor afirmou ainda que esse estudo indica, entre outras coisas, que a ilha está em seu limite populacional, e que a meta é manter esse nível ou restringir ainda mais, caso não seja criado um modelo sustentável de vida nos próximos anos. "Estamos discutindo com a Secretaria Estadual de Saúde a reforma física do espaço para que possamos cumprir a meta do Plano de Saúde. Nascer em Fernando de Noronha significa também uma equipe médica permanente no arquipélago, um banco de sangue, equipamentos específicos e outras demandas (que significa aumento de carga para a Ilha)", esclarece.

Resumindo a história: por enquanto, as gestantes continuarão a fazer o pré-natal até o 7º mês na ilha e serão encaminhados para a conclusão do pré-natal e parto em hospitais do continente - Recife.

Vale ainda ressaltar a última fala da mensagem enviada por Lasmar: "Quero salientar que nascer ou não em Fernando de Noronha é na realidade uma premissa menor, a questão fundamental identificado nesse estudo é aumentar ou reduzir a carga que Fernando de Noronha suporta, e é isso que vai pautar nossas decisões como gestores da coisa pública a partir desse momento histórico para nosso Arquipélago".

Enquanto isso, eu sigo torcendo para que nesse estudo seja priorizado uma forma menos traumática de "fazer o melhor" para a gestante. Principalmente pelo fato de que elas são obrigadas a entrar de licença maternidade já no 7º mês de gravidez. Se o bebê nascer com 38 semanas, a mãe já estará sem trabalhar há 10 semanas. Foram preciosos 70 dias que essa mãe desperdiçou, que ela poderia ter usado pra ficar com seu bebê.

Além disso, a gestante já está, normalmente, num momento delicado de sua vida - sem contar na enxurrada de hormônios que invadem seu corpo. Dá pra imaginar nesse momento ela ser afastada do seu companheiro e de seus amigos, levada para outro local, onde muitas vezes ela não tem um parente ou amigo?

Obrigada ao senhor Frederico Lasmar por ter nos dado um feedback sobre a situação no arquipélago. Segue a resposta dele, na íntegra:

"Caros leitores,

Na semana passada Fernando de Noronha viveu um momento histórico: foi apresentado o relatório com os desafios, ações, propostas, responsáveis, metas, indicadores e prazos para o Plano Noronha +20. Após três anos de estudos sobre a capacidade de carga do Arquipélago, envolvendo, entre outros, o ICMbio, a Administração do Arquipélago de Fernando de Noronha, Ministério Público Estadual, SPU, CPRH, IPHAN, Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente, Ministério das Cidades, SECTMA, Sociedade Civil, que deu origem a esse relatório propondo o que queremos de Noronha nos próximos 20 anos. Esse estudo estabelece um ideal de gestão para alcançarmos a sustentabilidade em Fernando de Noronha. Ele indica, por exemplo, que a ilha está em seu limite populacional, e que a meta é manter esse nível ou restringir se não criarmos um modelo sustentável de vida nos próximos anos. No raciocínio lógico este seria a premissa maior para nossa orientação: reduzir. A maternidade e o centro cirúrgico foram desativados em 2003 pela Secretaria Estadual de Saúde. Entendemos a importância e a necessidade de reativar a estrutura da sala de parto e do centro cirúrgico. Estamos discutindo com a Secretaria Estadual de Saúde a reforma física do espaço para que possamos cumprir a meta do Plano de Saúde. Nascer em Fernando de Noronha significa também uma equipe médica permanente no arquipélago, um banco de sangue, equipamentos específicos e outras demandas (que significa aumento de carga para a Ilha). Tendo em vista as dificuldades inerentes e ao local remoto e de difícil acesso, enquanto não tivermos a certeza de oferecer parto de qualidade e com segurança, as gestantes farão o pré-natal até o 7º mês na ilha e serão encaminhados para conclusão do pré-natal e parto em unidades de referência no continente, sempre com o acompanhamento de nossa equipe. Quero salientar que nascer ou não em Fernando de Noronha é na realidade uma premissa menor, a questão fundamental identificado nesse estudo é aumentar ou reduzir a carga que Fernando de Noronha suporta, e é isso que vai pautar nossas decisões como gestores da coisa pública a partir desse momento histórico para nosso Arquipélago. Estou à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

Atenciosamente

Frederico de Alencar Lasmar
Gestor do Sistema de Comunicação do Arquipélago de Fernando de Noronha"

1 comentários:

Marcia disse...

Tathy, é muito bom saber q alguns políticos ainda se preocupam em dar um feedback pra população. São poucos, mas tiro o chapéu pra esses...
Parabéns pela divulgação!
Bjo!

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