As mães precisam ter treinamento ninja

Cada dia que passa eu chego mais à conclusão de que mãe realmente não é um ser deste mundo. Com certeza somos seres de outro planeta, disfarçados como terráqueos, certeza. Porque não basta trabalhar fora (ou em casa, que dá o mesmo tanto de trabalho), administrar a casa, saber de cor os horários das atividades extras dos filhos (e das roupas que precisam ser enviadas nestes dias específicos), ajudar a fazer o dever de casa, incentivar a leitura, educar para que seja um cidadão e mais uma pá de coisas que fazemos todos os dias. A gente precisa ser meio ninja pra saber certas coisas místicas ou sair de situações criadas pelo fato de que ignoramos estas certas coisas místicas.

O Vítor está fazendo capoeira. E essa capoeira tem um uniforme. Como ele entrou na escola no meio do semestre, por causa da nossa mudança de cidade, eu levei um certo tempo pra comprar o uniforme. Com tudo isso, calhou de a primeira lavagem desse uniforme ter sido agora, no final das férias (porque ele estava escondido numa sacola, depois de uma apresentação que ele fez). Como toda boa mãe que tem milhões de coisas pra fazer ao mesmo tempo, olhei aquele conjuntinho de calça, camiseta e corda e não pensei duas vezes: taquei na máquina de lavar, claro!

De noite, menino na cama, beijos de boa noite já dados, pergunto a ele se as aulas da capoeira já voltaram e ele diz que sim, que no dia seguinte terá aula. E pergunta: cadê meu uniforme? Eu respondo que foi todo lavado e passado, que está prontinho para ser usado. Ele pergunta: a corda também? E eu, achando que tinha sido super eficiente, respondo que sim. Aí o menino cai no choro, desconsoladamente. Demorei um tempo pra entender o que ele tava falando, porque esse choro todo por causa de uma lavagem de roupa. No meio dos soluços, ele me explica que não pode lavar corda de capoeira, porque a energia vai embora.

Pronto! E agora? Ninguém me explicou isso naquele curso de gestantes, cadê o meu manual de mãe? Quando é que eu ia adivinhar que não pode lavar corda de capoeira, cadê o carregador dessa corda agora? Aí entra a parte da mãe ninja, de driblar a situação sem menosprezar aquilo no que a criança acredita. Dizer que é besteira não vai ajudar em nada, não é? Comecei tentando explicar que achava que em uma ou duas aulas - se ele se alimentasse bem - a energia voltava. Aparentemente não fui muito bem sucedida nessa tentativa não, porque ele continuou chorando. Então tentei passar pro lado da piada, porque se tem algo que faz uma criança parar de chorar é arrumar algo pra ela rir.

Primeiro falei que no dia seguinte colocaria o uniforme nele e colocaria seu dedinho na tomada, que a energia voltava em dois tempos. Ele riu um pouquinho, eu continuei. Se a energia vai embora com a água, vai pro esgoto, né? E vai entrar em quem? No rato, é claro! Disse que o dia que eu visse um rato gingando a capoeira eu saberia com certeza o que tinha acontecido. Aí entra a parte do primeiro mico: eu, no meio do quarto, imitando os gestos que o rato faria. Pronto, ele caiu na gargalhada e todos foram dormir em paz.

Mas eu falei a parte do primeiro mico, não é? Significa que tem um segundo, claro. Eu, hoje de manhã, contando a situação para uma das tias da escola e pedindo por favor para que ela pedisse ao professor ensinasse o Vítor a reenergizar aquela corda dele.

Mãe passa por cada uma, vou te contar!

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