Gentileza gera gentileza - sem demagogia


Hoje acordei meio desanimada com a humanidade. Sei que é só hoje, que amanhã estarei animada com o futuro novamente e coisa e tal, mas hoje acordei assim. Acordei de saco cheio das pessoas que enchem a boca pra falar mal do mundo, pra dizer que o mundo hoje não é mais como era antigamente, pra dizer que o trânsito é cada dia mais caótico e agressivo, pra dizer que as pessoas não são gentis e que o fim do mundo está chegando.

De saco cheio porque a maior parte dessas pessoas reclama, reclama e não faz absolutamente nada pra mudar a situação. E eu fico me perguntando o que elas acham da vida, porque se elas mesmas não são gentis com os outros e somos nós que formamos a população mundial, como é que as coisas podem mudar? Como disse um amigo meu, o ruim desse tipo de gente é que eles acham que já estão fazendo a parte deles ao reclamar. E que essa história de que gentileza gera gentileza é pura demagogia, utopia, papo de quem acha que pode mudar o mundo. Ser gentil não é pra ser na base da troca. Não dá pra ser gentil apenas se as outras pessoas também forem com você. Mas também não é ser boboca e deixar que te façam de gato e sapato.

Eu não sou perfeita, pelo contrário, estou muito longe disso. Lembro de um post que minha querida amiga Rogéria Thompson fez um dia desses, falando que brasileiro não pode reclamar dos políticos que têm, porque faz um monte de coisas erradas, sabendo que são erradas e continuam a fazer assim mesmo, achando que está tudo bem. E eu me encaixava em alguns itens, como comprar dvds piratas e falar ao celular enquanto dirijo. Mas, mesmo assim, eu sei que ter defeitos todo mundo tem e que isso não tem nada a ver com ser omissa e deixar de fazer todas as outras coisas por causa disso. Sei que a velha história de cada um fazer a sua parte é sim muito verdadeira. Porque se eu faço, você faz e ele faz, as coisas já ficam um pouquinho melhor.

Quer um exemplo? As pessoas reclamam que não existe mais gentileza e tal, mas quando tem um carro querendo mudar de faixa, aceleram logo pra não deixar que ele entre. Ou fingem que não estão vendo que a pessoa logo atrás de você na fila do supermercado está apenas com dois itens na mão e não custaria nada deixá-la passar na sua frente. E param na vaga de deficiente/idoso, com a desculpa de que vai ser rapidinho ou que não vai aparecer ninguém precisando dela agora. Acham um saco algumas pessoas terem direito à prioridade nas filas e pra entrar no avião, como se isso fosse um privilégio qualquer e não uma necessidade dessas pessoas. Afinal, essas prioridades são ótimas e lindas, até o momento em que passam a interferir em suas vidas. Como se perder um minuto, cinco ou dez, fosse fazer muita diferença depois. Pra mim, a verdadeira diferença você faz é na vida de outra pessoa quando é gentil, quando "perde" esses míseros minutinhos em prol de outra pessoa, principalmente quando é um estranho.

Outro dia na rodoviária de Santos eu encontrei uma mulher com um bebê da idade da minha Alice (quase dois anos) e uma mala pesada, sem conseguir subir um lance imenso de escadas. Eu estava correndo pra comprar minha passagem, mas parei tudo para ajudá-la. Isso não me tomou mais do que 2 minutos e fez uma pessoa feliz naquele momento. Ontem a noite, no aeroporto de Congonhas, eu estava com a Alice agarrada em mim que nem um carrapicho e pegando sozinha minhas malas na esteira. Ninguém se ofereceu pra me ajudar, ninguém. Não quer dizer que eu não consiga fazer sozinha. Eu consigo e fiz. Mas se alguém se oferecesse pra me ajudar eu aceitaria de bom grado, pois me facilitaria as coisas. Aliás, acabo de me lembrar de um fato que deixaria aquele famoso político homofóbico de cabelos em pé: numa outra viagem que fiz com a Alice, tinha um travesti ao meu lado que foi extremamente gentil ao se oferecer pra me ajudar com minha bagagem. Aquela dezena de "machos alfa" que estavam no aeroporto ontem não tiveram um centésimo dessa mesma gentileza e cavalheirismo.

Então, enquanto dura essa minha onda de indignação, quero propor a vocês um desafio: pensem no que eu disse, avaliem suas vidas. Pensem que nossos filhos aprendem com o exemplo, que eles irão repetir os atos que nós fazemos, as vezes automaticamente. Avaliem no impacto positivo que vocês causam no mundo quando cedem dois minutos da sua vida pra ajudar alguém, por mais ínfimo que esse ato possa parecer. Que não é preciso de grandes atos, não é preciso largar todos os seus bens e se mudar para a África para combater a fome. Você pode ajudar muito fazendo um pequeno ato a cada dia. E, se ainda assim, vocês continuarem achando que sua atitude não vai mudar em nada o mundo, lembrem-se de que hoje é só a sua atitude, mas amanhã será a sua e a dos seus filhos, que irão repetir as boas ações, pois viram os pais fazerem assim. E depois de amanhã, a sua, dos seus filhos e a dos seus netos. Isso será multiplicado, podem ter certeza disso. Vamos tentar?

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