Passeio com crianças: 10 dias em um veleiro, entre Ubatuba e Paraty

Faz tempo que estou devendo um post sobre as viagens que fiz com as crianças no veleiro do meu pai, um Fast 345 (34 pés e meio de comprimento, o equivalente a 10,50 metros), o Alphorria. Só para ambientar quem não está acostumado com veleiros, o Fast 345 é assim por fora:

Alphorria ancorado na Baía da Preguiça


E assim por dentro:

Uma cabine (quarto) na proa (parte da frente do barco) e outra cabine na popa (parte de trás do barco).
Duas camas de solteiro, uma a boreste (direita) e uma a bombordo (esquerda).
Ao lado da cama de bombordo, uma mesa de navegação.
Ao lado da cama de boreste, a cozinha.
Entre a cabine de proa e o resto do barco, um banheiro.

Bem, eu expliquei tudo isso por alguns motivos. Primeiro porque quando se fala em veleiros, as pessoas logo pensam em iates. Quando digo que meu pai mora em um barco, muitos dizem: que chique! E isso é um grande engano! Velejar está mais para acampar do que para hotel de luxo. Mas isso é tema para um outro post, que virá depois. Hoje vou me ater à viagem, ou isso aqui vai ficar imenso e ninguém vai querer ler. E continuando os motivos, o segundo é que é importante para o post demonstrar que, apesar de ser um espaço relativamente pequeno, tem toda a estrutura necessária para levar crianças. Inclusive conheci pessoas que ficaram o mesmo tempo que nós em barco muito menores e também se divertiram muito.

Brincando de panelinha durante uma das travessias.

Brincando de areia na praia de Almada.
Bruno, Paula e Pedro (só faltou o Fernando na foto), tripulação do Acrux,.
Ficamos 10 dias a bordo com meu pai, participando do Cruzeiro Costa dos Tamoios, realizado pela Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro (mais informações sobre o Cruzeiro e sobre a ABVC aqui). Como meu pai não conseguiu levar o barco para Ubatuba a tempo (de onde o Cruzeiro partia), nosso primeiro dia foi navegando de Angra em direção a Ubatuba, para encontrar o pessoal. No primeiro dia cruzamos a tão temida Ponta da Joatinga (enJoatiga para alguns), famosa por seu mar batido e que faz tantos navegantes enjoarem. Claro que eu e meu pai estávamos meio preocupados com as crianças, com medo de que elas enjoassem, já que eles nunca tinham feito uma travessia tão grande, mas não deixamos transparecer para que eles não ficassem influenciados. O Vítor realmente deu umas enjoadas e umas vomitadas, mas logo depois dormiu e ficou tudo bem. Alice enjoou por minha culpa: eu tava com sono e fui para a cabine dormir e levei-a comigo. Não se deve ficar dentro do barco com ele em movimento, no mar batido, porque isso causa enjôo...dito e feito. Mas não tivemos mais problemas com isso. Inclusive, como meu pai comentou depois, eles deram muito menos trabalho do que muito marmanjo que velejou com ele.

Vítor fazendo cara feia para a Ponta da Joatinga, onde ele enjoou.

Durante esses dias visitamos a Ilha Anchieta (uma reserva ambiental), praia de Almada (no litoral norte de Ubatuba, meio isolada e deliciosa), Ilha da Cotia (uma ilha completamente desabitada e com linda baía) e Paraty. Foram dias muito gostosos, de acordar e dormir cedo, nadar bastante, comer peixes e frutos do mar, bater muito papo e fazer novas amizades. Em vários dias choveu, mas normalmente o tempo só ficava nublado, então dava para curtir bastante.

Ilha da Cotia

Nadando na Baía da Preguiça (perto da Ilha da Cotia)
A pergunta principal que me fazem é: mas eles não te deram trabalho? Sim, deram. As vezes desobedeceram, as vezes fizeram pirraça, as vezes brigaram. Mas, sinceramente? Foi exatamente o mesmo trabalho que me dão em casa. E não ficaram entediados nem uma vez, nem umazinha só. Mesmo quando choveu muito e não dava para sair do barco, eles viam dvds, liam revista, coloriam ou ficávamos todos juntos batendo papo. Na maior parte do tempo só a paisagem diferente era suficiente para distrair as crianças, já que sempre tinha um barco passando por perto, uma praia diferente, uma montanha alta, até golfinhos vimos!!

A visita dos golfinhos!
Assistindo dvd num dia de chuva. Esse aí pode ser carregado na tomada elétrica ou acendedor de cigarro.
Claro que o barco não é como nossa casa e é preciso ter jogo de cintura para adaptar as situações. Mas não é nenhum bicho de sete cabeças e, qualquer pessoa que já tenha passado alguns dias fora de casa com seus filhos também conseguirá fazer o mesmo no barco. E quer saber? Além de ser uma delícia, as crianças aprendem tanto!! Vale muito à pena!

Essa é a cozinha: nesse espaço tem fogão, geladeira, pia e armários.
Aquele pedal ali embaixo é que faz a água da pia sair.
Quando aparece um solzinho a gente corre pra estender as roupas.
Para economizar água doce (que é limitada num barco), a gente lava tudo com água salgada
e passa na água doce no final.
Em breve farei um outro post, contando do Cruzeiro Costa Caipira, que fizemos agora no começo do ano e que foi bem diferente (embora igualmente delicioso).

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