Coisas que aprendi com a 1a gravidez

*post de minha autoria publicado originalmente no blog Esperando Alice, que precedeu o Entre Fraldas e Livros

De tanto bater papo com outras barrigudas sobre gravidez e afins, descobri um monte de coisas que aprendi com a 1a gravidez e não me incomodam tanto (ou nada) nesta 2a:

- Cesárea ou parto normal? Na gravidez do Vítor eu comprei livros sobre parto normal, fiz exercícios, entrei em listas de discussão, troquei de médico aos oito meses porque o meu era cesarista assumido. No fim das contas, o Vítor se enrolou no cordão e não adiantava nem o Papa vir me dizer que isso não era motivo pra cesárea, porque pra mim era e pronto. E no fim das contas, pra mim não faz diferença por qual buraco ele saiu, eu o amei muito, demais. E o pior: falaram tão mal, mas tão mal de tudo e eu achei tudo tão tranquilo, que agora tenho medo é do parto normal! kkk (o desconhecido sempre assusta, né?)

- A hora do nascimento. Quando chega nas últimas semanas, os sintomas se intensificam: dores, cólicas, contrações de Braxton-Hicks... tudo isso faz a gente achar (quer dizer, TER CERTEZA) que a data provável do parto dada pelo médico está ABSOLUTAMENTE errada. E que o bebê vai vir antes, com certeza. Junte-se a isso o fato de que todo mundo começa a dizer que sua barriga tá baixa (ou alta) demais, a ligar dizendo "eu achava que já tinha nascido" e coisas do tipo. A medida que o tempo vai passando, a gente vai ficando ainda mais e mais ansiosa, um saco! Agora quando falam "tá pertinho", eu já falo logo "tá nada, vai demorar muito ainda". Já me basta a minha ansiedade, não preciso da ansiedade dos outros.

- Estrias. Desta vez não gastei rios de dinheiros com cremes caros contra estrias. Da última vez eu me lambuzava inteira todos os dias, com cremes de marcas caras, específicos pra gravidez ou não. O resultado? Fiquei com a barriga igualzinha a um mapa hidrográfico da bacia amazônica. E não estou exagerando não, é verdade mesmo. Eu até pensei em fazer tratamento (caríssimo), mas fui pesquisar antes e descobri que se eu engravidasse de novo, as mesmas apareceriam novamente. O que significa que o dinheiro iria todo ralo abaixo. Pergunta se dessa vez apareceu alguma estria nova!! Nenhumazinha, só as minhas "velhas" amigas mesmo! kkkk

- Peso e alimentação. Parece um pouco com a cantilena do parto normal. Se a gente fizer uma lista das coisas que grávida não pode comer, todas morreriam de inanição. Tudo bem, vamos colocar os pingos nos is: quando comemos uma coisa, nosso corpo se encarrega de "pegar" todos os nutrientes e distribuir "por aí", por meio do sangue. Aquilo que não presta é eliminado, pela urina e pelas fezes. O que é levado para o bebê é o sangue, não o que comemos. Então vamos esquecer aquela história de que tomar café ou coca-cola é a mesma coisa que colocar na mamadeira e dar pro bebê, porque não é.

Devemos evitar? Sim, devemos. Porque cafeína demais faz mal pra gente, quanto mais para o bebê. Assim como devemos evitar outras mil coisas, principalmente o álcool. Mas acredite, tomar uma lata de refrigerante não vai fazer seu bebê nascer diferente do que nasceria se você não tomasse. Em tudo no mundo a gente precisa ter meio termo, não precisamos exagerar, não é?

E o massacre sobre engordar demais? Estou realmente começando a achar que os médicos gordos que não conseguem emagrecer descontam toda a sua frustração na pobre grávida indefesa. Conheço pessoas que engordaram 20, 25, 30 kg na gravidez e todas estão muito bem, obrigada. É saudável? Provavelmente não, mesmo que não estivessem grávidas. Mas alguém acha que o terrorismo que alguns médicos fazem vai realmente mudar alguma coisa? Uma amiga de twitter contou que o dela chegou a dizer que iria fazer uma incisão vertical na barriga dela, já que ela não estava ligando mesmo pro peso. Detalhe: ela engordou 9 kg!!! Não seria muito mais razoável dizer a elas pra procurar uma nutricionista, que orientaria muito melhor, sem terrorismos inúteis?

Só pra constar: desta vez acompanhei toda a gravidez com uma nutricionista, que me orientou o tempo todo, inclusive nas minhas escapulidas. Até agora engordei 12 kg e tô muito feliz com isso. É muito? É pouco? Não tenho idéia, deixo essa preocupação pra ela! kkk

- Conselhos x palpiteiras de plantão. "Se conselho fosse bom, ninguém dava: vendia" Não concordo com isso. Ouvi muito os conselhos legais das minhas amigas que já tinham passado por isso e ainda ouço, adoro! Pra que cometer um erro se eu posso aprender com a experiência do outro? Acontece que conselho é muito diferente de palpite. E que é muito diferente de comentário. Coisas do tipo, "você está imeeeensa", "tem certeza de que é um só?", "como foi que isto aconteceu??" (fui mãe solteira da primeira vez) e "cadê o pai?" não acrescentam nada à sua vida e ainda te deixam mais irritada. O que aprendi: a deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro. Confesso que de vez em quando ainda deixo o sangue subir, mas na maior parte das vezes só desabafo no twitter e não desconto na pessoa (embora algumas mereçam). Isso também vale

- Mitos. Nem caio mais nessas. Quando gosto muito da pessoa, esclareço com calma. Quando vejo que não tem futuro, nem ligo. Coisas do tipo: "azia é sinal de bebê cabeludo" (quase morri de azia e o Vítor só foi ter cabelo aos 2 anos), "barriga pontuda é sinal de menino, espalhada é sinal de menina" e "beber água gelada dá pneumonia no bebê". Já até desenvolvi um olhar bem atento e um balançar de cabeça, pra usar enquanto finjo que estou interessada e minha mente vagueia por outras coisas mais importantes.

Bem, por fim, digo que aprendi uma coisa: não existe verdade absoluta. Tudo o que eu disse aí em cima é o que EU acho. Não quer dizer que eu não tenha amizade com pessoas que pensem totalmente diferente de mim. Algumas são MUITO amigas mesmo, porque temos uma coisa em comum: respeito à opinião alheia. Eu acho uma coisa e não tento impor, a pessoa acha outra coisa e não tenta me impor. Pronto, tudo fica bem.

0 comentários:

Related Posts with Thumbnails
 

Entre Fraldas e Livros Copyright © 2015 | Tema por Girly Blogger Template | Ilustração por Anne Pires