Como incentivar nossos filhos a fazer atividades físicas?

Gustavo Borges, Scheila Castro e Elaine Rocha de Pádua
Faz tempo que algo me incomoda: a quantidade de crianças que tenho visto por aí que estão obesas e sem preparo físico. Quando eu era criança o horário contrário da escola era gasto com muita correria com outras crianças embaixo do prédio, eu sempre voltava para casa imunda, suada e cansada. Os tempos mudaram e nem sempre é seguro deixar nossos filhos na rua sem a nossa supervisão. Aqui em casa, por exemplo, é fora de cogitação brincar na rua, uma avenida super movimentada e com calçadas fajutas e minúsculas. Além disso, nem sempre temos disponibilidade, dinheiro (ou os dois) para colocá-los em uma atividade física extra. E vamos combinar que aulas de educação física são uma vergonha, nem dá para contar como exercício.

Bem, não dá para nos mudarmos todos para o interior e nem pararmos todos de trabalhar para ficar em casa com as crianças. Então, o que fazer? A resposta me foi dada durante um evento para o qual fui convidada, onde o assunto seria "A importância do café da manhã e atividades físicas para crianças,", promovido pela Nescau. Com a presença da hebiatra Dra. Lígia Reato, da nutricionista Elaine Rocha de Pádua, do especialista em medicina esportiva Dr. Victor Matsudo, e dos esportistas Gustavo Borges e Sheilla Castro.

No debate aprendi que a primeira coisa a se pensar é como está sendo o meu exemplo como mãe/pai? Não dá para cobrar que nossos filhos sejam fisicamente ativos se nós estamos sendo super sedentários, não é? Uma criança inativa tem 90% de chance de se tornar um adulto sedentário. Em compensação, uma criança cuja mãe é ativa tem o dobro de chance de também ser ativa. Um pai ativo aumenta essa chance para 3,5 vezes. Com pai e mãe ativos essa chance sobe para 5,6 vezes.

Falta de tempo todos nós tempos, mas para conseguir os 60 minutos diários de atividade física que são recomendados para que uma criança seja saudável é preciso ter criatividade e força de vontade. Não estou dizendo que seja fácil, com certeza sei que não é. Basta olhar para mim e ver! Perder os 27 quilos extras que estavam no meu corpo não foi (e não está sendo) moleza. Mas saber que 14 quilos já foram, olhar no espelho e ver a diferença, me sentir mais disposta e menos doente... isso paga qualquer preço! Não é preciso fazer academia, pode ser caminhada, jogar bola, passear com o cachorro. Tudo isso movimenta o corpo e manda o sedentarismo para longe de nossas crianças (e de nós também). Mais importante do que tudo é casar a vontade da criança com a viabilidade que temos.

Mas ainda restava outra dúvida para mim: e quando a criança diz que não gosta de nada e não quer nem mesmo tentar (ou tentou e logo desistiu)? O debate também me ajudou a esclarecer este ponto. De acordo com os especialistas, é importante ter persistência. Crianças costumam dizer que não gostam de algo, mas isso pode mudar em 2 ou 3 meses, o que não acontece com o adulto. E como o gosto pela prática esportiva é desenvolvido em sua grande parte na infância, se não persistirmos há grande chance de estarmos criando um futuro adulto obeso e sedentário.

Outra coisa importante a ser observada é que os benefícios da atividade física vão ainda além de questões como a manutenção de um peso adequado ou a colaboração para um crescimento adequado. O especialista em medicina esportiva Dr. Victor Matsudo ressalta que os estudos mostram vários mecanismos possíveis pelos quais a atividade física regular pode contribuir para um melhor: o desempenho acadêmico, incluindo habilidades de concentração e comportamento em sala de aula. A convivência em esportes coletivos, por exemplo, exercita ainda aspectos relacionados à cooperação, convivência, participação e inclusão.

Por isso, vamos colocar nossas crianças para se exercitar!!

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